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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Arquitetando

Mosaico de cacos de azulejo e conchas num pedaço de muro em Salvador, a caminho do mar...

Compreendemos tão pouco do que existe. Por isso certos traços e formas do que está por aí se destacam em meio a tudo. Assim como na natureza, onde detalhes minúsculos fazem toda a diferença na biodiversidade global (e onde eu adoro me perder), também nas cidades o ambiente construído desperta atenção. São detalhes que muitas vezes passam despercebidos em meio a multidão. E só quem caminha com os pés flutuando e a mente atenta consegue captar o que muitos não veem. 
A arquitetura, o desenho, as cores, a forma escolhida... nunca se sabe o que estava na cabeça de quem fez. Afinal, todo castelo nasce de um pensamento ou múltiplas reflexões, e o resultado é simplesmente uma experiência genuína! 

O detalhe desta fachada na Plaza Mayor, em Madri, é a combinação perfeita do real e do irreal!


Não sei o que se passava na cabeça de quem fez, mas o resultado ficou ótimo! Numa rua de Gramado, este telhado com tudo torto parece querer conversar com você! O óbvio aqui já não é evidente.


A fachada deste prédio de tijolos vermelhos na região central de Belo Horizonte mostra como a simplicidade é bela!


O Mosteiro dos Jerónimos às margens do rio Tejo, mesmo com sua idade avançada do século XVI é um dos mais belos da Europa..... tanto que não se pode traduzir em palavras....


A cúpula interna do CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil) no Rio é uma atração à parte quando se ilumina em tons de dourado. Sentar ali e tomar um bom café é quase uma obrigação!



Por esse chão eu andei.... flutuando

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Seja qual for a estrada!

Pela janela do ônibus consigo ver ao longe a cordilheira dos Andes a caminho do lago Titicaca, no altiplano boliviano

A viagem é uma maneira de deixar a rotina para trás. Uma mudança de ares ou estradas desconhecidas pode ser justamente o que está faltando na sua vida. Eu já perdi as contas de quantas vezes me perguntei "o que é que eu estou fazendo aqui?" Ora, simplesmente vivendo! Vendo outras árvores, outras paisagens pela janela, outras pessoas, outras histórias, outros sabores, outras ruas...... Todos sabem que viver é difícil, então vamos celebrar, inclusive as pedras que encontramos no meio do caminho, ou melhor, das estradas. São elas que nos fazem desviar e encontrar outros lugares inesperados, além de surpresas inimagináveis! 
Lá nas aulas de física descobrimos que uma pedra cai em linha reta porque é a menor distância entre dois pontos, e com isso economiza energia. Mas não temos que seguir à risca esta regra, é preciso ser um ponto fora da curva, sair de uma estrada para descobrir outras!
O bom da vida é isso, não entendemos nada de nossa existência, nem que estrada seguir, mas continuamos insistindo......

 Descendo em zigue-zague o tortuoso caminho do Vale Nevado - Chile - uma pequena raposa aparece na beira da estrada para dar as boas vindas...


Saindo de La Paz, a estrada nos leva até o instigante Vale de La Luna, primo distante da Lua!

Bela paisagem da janela do trem que vai até Cascais, seguindo o vento e os que voam de parapente!

Por aqui eu andei ..... pela estrada de Ouro Preto!

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A poeira do bem


Para que servem os satélites? Monitorar o espaço talvez... Também, mas é muito mais que isso. Por que uma instituição como a NASA gastaria milhões só para vigiar o espaço se a própria Terra é tão ou mais interessante? Os cientistas já sabiam que a areia do deserto Saara viajava pelo mundo há muito tempo. Mas o que eles não sabiam era a quantidade exata e qual a importância disso. Então, alguns satélites bem inteligentes descobriram. E assim os cientistas puderam calcular que, por ano, 182 milhões de toneladas de poeira são carregadas pelo vento e atravessam os 2,5 mil quilômetros que separam a África da América do Sul. Desse volume, 27,7 milhões de toneladas de poeira (cerca de 105 mil caminhões cheios) são despejadas na floresta Amazônica. Mas não pense que isso é algum tipo de poluição errante. Na verdade, as areias do Saara são essenciais para a manutenção da mata, pois elas são ricas em fósforo, um potente fertilizante, que é raro na Amazônia. Essa quantidade de fósforo abundante no Saara é devido a decomposição de peixes que habitaram aquela região há alguns milhões de anos. Já pensou?! Ou seja, é um processo natural de adubação. Agora a preocupação dos cientistas é que as mudanças climáticas alterem esse ciclo natural. Afinal, a poeira afeta o clima e, ao mesmo tempo, as mudanças do clima afetam a poeira. O que mais me impressiona é o caminho longo que essa poeira faz. Dos 182 milhões de toneladas que saem do Saara todo ano, uma parte cai nas águas enquanto atravessa o Atlântico. Quando chega na América do Sul, grande parte cai na bacia do rio Amazonas e as toneladas restantes seguem viagem para o mar do Caribe. Até a areia do Saara, do outro lado do oceano, ajuda na manutenção da floresta Amazônica. Isso serve de lição para que o homem não destrua tudo de bom  que a própria natureza faz ao longo dos anos, simplesmente sem pedir nada em troca - apenas respeito!